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A LANTERNA NÃO BRILHA

Partiu o veinho.

O veinho de 1930

O veinho do sorriso orelha a orelha

e que orelhas!

da cabeça que brilha

lanterna, boné, camisa de botão

Olha, lá!

durinho em cima de uma bicicleta!

o veinho

das histórias de assombração,

garimpo e Virgulino Lampião:

 

“[...] minha neta

 aquilo era homem sanguinário,

mas de coração bom

certa feita baixou lá em casa…

tua bisa matou gado,

sangrou  porco,

pato, bode, ovelha

fartura

era muita gente…[...]”

 

“deixe de história, vô!”

 

e ele deixou…

 

Foi-se o Gadelha,o Gadeia

o Luiz cearense,

 o vizinho

do Luiz Maranhense

do Luiz Ogênio

e do Luisinho

esse mesmo

O Luiz da Luzia.

 

Depois da morte da Luzia

não foi mais o mesmo

velho,

doente.

 

uma tosse 

uma pandemia 

a lanterna não brilha 

A covid apagou.


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