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O gol na tela colorida (originalmente publicado na Coletânea Gol de Copa edição 2023 da editora Campo ou Bola)

  O gol na tela colorida Julho de 1994, interior da região amazônica. Uma casa de alvenaria com antena parabólica, uma menina de 10 anos e a televisão do “Sr. Levi” (única colorida sem chuvisco e grande) do lugar. A ele também pertencia a serraria de extração de madeira, a fábrica de cabo de vassouras, a padaria, o supermercado e o açougue que abastecia a vila dos trabalhadores da fábrica, às margens da rodovia Br 0-10. — Carmela, leva as crianças lá em casa no domingo  para ver o jogo final da copa? veio o convite do sr. Levi. Os olhos da menina curiosa que ouviu a conversa da mãe, enquanto desciam a rampa da igreja ao final do culto sabático, se arregalaram e voltaram-se para sua mãe como se pudessem gritar: DIZ QUE SIM!  TV era algo que não existia em sua casa, assim como em outras da vila de madeira em que morava junto com o pai, a mãe e dois irmãos. Um ou outro vizinho da vila possuía uma pequena tv preto e branco. As tvs possuíam imagem chuviscada devido a antena. E...
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O céu está caindo ( originalmente publicado na coletânea Elas Poetas - edição 2024 da editora Vira-tempo)

  O céu está caindo Curumim sai de bota porque está na moda O Pataxó de Paletó pega a rede de pesca e cai no igapó Mais uma manhã normal na oca digital Acordada pelo despertador colonial A tradição milenar é oral Está tudo registrado na câmera digital o Xamã anuncia a chuva  no grupo do zap “Filhos da Lua” “É o céu caindo em nossas cabeças” anuncia a velha anciã Velha anciã, sim!  Grita! Nunca anciã velha! rebate a velha: “Nossos velhos são bibliotecas vivas memória ancestral de instrução pra vida” respeitar, valorizar, ouvir, amar os velhos  É tecnologia de futuro velho é o mundo… “QUE ESTÁ CAINDO EM NOSSAS CABEÇAS!” grita de novo É a voz milenar…

Brasileirinha - Gaúcha

  Brasileirinha - Gaúcha   (pseudônimo / A pena que escreve) Dos campos sulinos do Brasil De aimará e quéchua. Atenas, Pequim e Londres Conhecem de perto o teu nome! Em um movimento nunca visto antes, com um duplo twist carpado cravado O ouro olímpico para o Brasil foi conquistado! bronze, prata e ouro Como és notável! Não é Carmem Miranda, mas a baixinha É uma gigante invejável! Inspiração para meninas pretas e pobres. Orgulho dos pampas! Dayane dos Santos, teu nome já é histórico!

A LANTERNA NÃO BRILHA

Partiu  o veinho. O veinho de 1930 O veinho do sorriso orelha a orelha e que orelhas! da cabeça que brilha lanterna, boné, camisa de botão Olha, lá! durinho em cima de uma bicicleta! o veinho das histórias de assombração, garimpo e Virgulino Lampião:   “[...] minha neta  aquilo era homem sanguinário, mas de coração bom certa feita baixou lá em casa… tua bisa matou gado, sangrou  porco, pato, bode, ovelha fartura era muita gente…[...]”   “deixe de história, vô!”   e ele deixou…   Foi-se o Gadelha,o Gadeia o Luiz cearense,  o vizinho do Luiz Maranhense do Luiz Ogênio e do Luisinho esse mesmo O Luiz da Luzia.   Depois da morte da Luzia não foi mais o mesmo velho, doente.   uma tosse  uma pandemia  a lanterna não brilha  A covid apagou.